x>"/IPM.Microsoft Mail.Note1|)& & +.p)Articles on "asking the right questions"q%r+@Hb7J-m0Cp X  HhHj{ܼ€(600000002mcdamianovic@uol.com.brMaria Cristina - UOL)600000002mcdamianovic@uol.com.brMaria Cristina - UOL?oY Y  F  F C FE FG F d Fe F@g F`Јd F=QuestionariosInstrumentosContexturasDamianovicHawiMelloNininj F=QuestionariosInstrumentosContexturasDamianovicHawiMelloNinin HhHj{ܼHhHj{ܼ $$4LZFu& rcpg1252Chtml10? ch set0 PVUQ23FYf4o{5_ m6OPahqo ;O05 oe 8! E"" ! `cP dL36` 4 *\9 < x:v="Ipn:hesL-m `so-m+"*o+?k,I,pf e/e-&w/-.0d-&st~1014@ *s-%3tp://Bw7.w3.g/TR/REC-40" *37E4U.,.,//tb/04/ <m->) =o>g3)@*`ead=]?BO)6< na=G yat0 t%3M,& W3 1(/) dium)=NC?SB4E!--[ !m,`]> <3yleLv\\:"*0{beviE:pl(#au)#VML)%} oMNOwPQO.speS_ToL:M(K[ Hf]K=^Ko:S62gTyU Es /q356E" Q0!/I_JoZ[\O]_^o6U[eP`bNE`abcdegh/j?kOl_monohCiM qrstuvxhSFyz{}~/?h,`nhKL/M73SVW%o`i)0WYEMBa:l ^k V-M-py:99O n.OHYPERLINKO0F 1_oߛFOLLOWED_oO[/S@F! 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Diferentes caractersticas de perguntas sero analisadas com base em evidncias lingsticas presentes nos contedos temticos destacados dos enunciados das perguntas propostas. PALAVRAS-CHAVE: questionrio; perguntas; instrumento de coleta de dados Introduo Ao longo dos ltimos anos, as quatro autoras vm se envolvendo em pesquisas na rea de formao de professores. Da necessidade e interesse de usarem, elaborarem e re-elaborarem questionrios, as pesquisadoras desenvolveram este estudo que visa a analisar as perguntas que compem dois questionrios utilizados em pesquisas na rea de formao de professores em servio. O primeiro questionrio, doravante Q1, foi apresentado em um curso de formao para professores de ingls da rede pblica do Estado de So Paulo em servio; o segundo questionrio, doravante Q2, foi entregue a quatro professores universitrios de um curso de Letras de uma universidade privada da cidade de Osasco, participantes de uma pesquisa com foco em suas aes na sala de aula. Ambos os questionrios serviram como instrumentos de coleta de dados acho que redundante, para procurar compreender as representaes dos professores envolvidos nos dois contextos, em relao s suas vises de ensino-aprendizagem e de linguagem. 1. Fundamentao terica Este artigo tem sua fundamentao terica apresentada em cinco sees que tm por objetivo tratar os aspectos que envolvem a construo de um questionrio. Na primeira, Questionrio: uma tenso, apresentaremos as caractersticas bsicas que compem um questionrio e algumas dificuldades em trabalhar com esse instrumento como fonte de dados para pesquisas. Na segunda, Questionrios: o cuidado em sua elaborao, apresentaremos aspectos relacionados sua estrutura. A terceira, Questionrios: um panorama, apontar vantagens e desvantagens da utilizao desse instrumento para coleta de dados em pesquisa. A quarta seo, Questionrios: a entrevista como complemento, apresentar a distino entre os dois instrumentos e como entrevistas podem ser utilizadas para retomada de aspectos no explicitados nos questionrios. Finalmente, em Questionrios: perguntas quanto forma, ao tipo, natureza, ao contedo e temtica, sero discutidas as diferentes possibilidades para a elaborao das perguntas dos questionrios. 1.1. Questionrios: uma tenso Segundo Seliger & Shohamy (1989), questionrio uma forma de coleta de dados composta por questes apresentadas por escrito aos participantes, com o propsito de obter dados sobre opinies, crenas, sentimentos, interesses, expectativas, vivncias etc., a respeito de fenmenos no facilmente observveis. Gillham (2000) alerta-nos para o fato de que desenvolver um questionrio cujos dados valham a pena difcil. Se as questes apresentadas ao pesquisado forem do tipo sim/no, concordo/discordo e/ou mltipla escolha, o pesquisador ter maior facilidade na tabulao dos dados, porm, ter que decidir sobre as possibilidades de respostas a oferecer ao pesquisado. Assim, quanto maior o nmero de opes oferecido, mais significativos sero os dados que o pesquisador ter para anlise. imprescindvel observar que, se todas as possveis respostas so determinadas com antecedncia, assim como as perguntas, o elemento de descoberta fica muito reduzido, a menos que haja um padro muito inesperado para as possveis respostas. Alm da falta de surpresa, vale ressaltar que, luz de Gillham (2000), questionrios so, freqentemente, completados apressadamente e negligentemente. Devemos estar atentos ao fato de que nunca se sabe que verdades ou mentiras esto contidas nas respostas dos questionrios. Uma dvida paira no ar: quais seriam as respostas caso os participantes estivessem livres para responder como desejassem? Outras preocupaes fundamentais ao se preparar um questionrio de pesquisa esto relacionadas pergunta geral de pesquisa, s perguntas especficas e ao nmero de pesquisados, isto , se todos os envolvidos na situao de pesquisa so inspecionados ou se apenas uma amostra deles (Guillham, 2000). Dessa forma, indicado que seja aplicado um questionrio-piloto a um pequeno grupo de participantes de pesquisa, com o objetivo de permitir ao pesquisador reformular suas perguntas antes de obter os dados que efetivamente utilizar para anlise. Recomenda-se tambm que questionrios no sejam a nica fonte de dados de uma pesquisa; eles precisam ser vistos como um instrumento base para o desenvolvimento de outras fontes de dados. 1.2. Questionrios: o cuidado em sua elaborao Segundo Gillham (2000), questionrios podem ser inibidores. As respostas obtidas so realmente o que as pessoas pensam? Quando professores concluem um curso de treinamento em servio, dizem as mesmas coisas que diriam em atmosfera informal em seu ambiente de trabalho? importante considerarmos os cuidados na elaborao de um questionrio, que podem, na verdade, minimizar as questes acima. Desenvolver um questionrio que valha realmente a pena difcil e segundo o autor, a qualidade dos dados que emergem at mesmo de questionrios bem desenvolvidos nem sempre maravilhosa. No entanto, questionrios bem organizados e elaborados com cuidado podem transformar-se em uma rica fonte de categorias para a anlise dos dados, como mostraremos na seo de metodologia. Ao elaborar um questionrio, importante que o pesquisador tente utilizar diferentes estilos de perguntas / respostas, de modo a no tornar o questionrio enfadonho e cansativo para o pesquisado. Gillham (2000) observa que questionrios mal elaborados acabam por apresentar respostas sem que realmente estejam relacionadas ao pensamento e/ou fazer do pesquisado. Segundo Gil (1999:133-4), a escolha das questes est condicionada a fatores tais como a natureza da informao desejada e o nvel sociocultural dos interrogados, dentre outros. Sugere, ainda, que algumas regras bsicas sejam observadas: incluir apenas questes relacionadas ao problema pesquisado; no incluir questes cujas respostas podem ser obtidas de forma mais precisa por outros procedimentos; levar em conta as implicaes da questo com os procedimentos de tabulao e anlise dos dados; incluir apenas questes que possam ser respondidas sem maiores dificuldades; evitar questes que penetrem na intimidade das pessoas. Quanto escala de explicitao, os questionrios podem apresentar diferentes graus que vo desde os no-estruturados, com baixo grau de clareza, incluindo-se a perguntas abertas para as quais esperado que o pesquisado responda de uma maneira descritiva, at os estruturados, com alto grau de clareza, que requerem do participante marcas claras sobre acordos e/ou discordncias, seleo entre vrias alternativas. O quadro a seguir apresenta uma dimenso das possibilidades de questionrios: Quadro 1: A dimenso verbal dos dados em um questionrio No-estruturado (MaiorEscuta da conversa das pessoas; observao verbal, feita no local de atividade do participante flexibilidade)Utilizao de conversas naturais para fazer perguntas ao participante, relacionadas pesquisaPoucas perguntas-chave de carter descritivo ou narrativoSemi-estruturado: perguntas de carter descritivo / narrativo e perguntas do tipo sim/no, certo/errado, mltipla escolhaSemi-estruturado: perguntas de carter descritivo / narrativo e perguntas do tipo sim/no, certo/errado, mltipla escolhaAgenda gravada: questionrio verbalmente administrado (Menor Questes de mltipla escolha e poucas perguntas de carter descritivo / narrativoflexibilidade) EstruturadoPerguntas simples, especficas, do tipo sim/no, certo/errado, mltipla escolha, com respostas previsveisBaseado em Gillham (2000) Podemos notar que o zelo ao preparar as questes fundamental. Gillham (2000) ressalta, ainda, de que perguntas cujas respostas so de carter descritivo / narrativo podem conduzir a um maior nmero de descobertas, mas o nmero delas deve ser restrito, at para justificar questes de custo da pesquisa. Quanto s respostas obtidas dos questionrios, o pesquisador poder deparar-se com situaes em que os participantes utilizaram-se de mecanismos de defesa em busca de proteger-se de situaes que os constrange ou os avalia. Algumas medidas podero ser tomadas quando da elaborao do questionrio, em busca de minimizar essa questo apontada. em defesa da face quando o participante acredita que sua resposta permite que ele seja julgado pelo pesquisador, pode responder de forma estereotipada, encobrindo sua real posio. Convm, portanto, evitar iniciar um questionrio por perguntas que trazem esse risco. Perguntas articuladas podem minimizar essa situao pois o pesquisador poder, a partir da triangulao dos dados, verificar a autenticidade das respostas. em defesa de posies pessoais quando o participante se v frente a perguntas que solicitam opinio pessoal como O que voc pensa sobre ...; Em sua opinio, por que ..., a resposta pode ser evasiva, com alegao de no estar seguro sobre o assunto ou no ter opinio sobre ele. Convm, portanto, no iniciar um questionrio por esse tipo de perguntas. Perguntas indiretas podem trazer maior contribuio ao pesquisador sobre as opinies pessoais do participante. em defesa do conservadorismo a resistncia s mudanas natural e participantes podem apresentar respostas que indiquem conformismo, quando se trata de assumir mudanas. As escolhas lexicais para o caso de perguntas sobre mudanas devem ser cuidadosas. Nesse caso, perguntas indiretas tambm podem trazer maior contribuio ao pesquisador. palavras estereotipadas a utilizao de jarges (no caso das pesquisas educacionais) podem levar o participante a apresentar preferncias por determinadas respostas. Devem ser evitadas, portanto, palavras carregadas de peso ideolgico / modismos pedaggicos. referncias a personalidades em destaque deve-se evitar referncias a pessoas que suscitam simpatia, antipatia, autoridade moral, desprezo poltico etc. 1.3. Questionrios: um panorama Em pesquisa, necessrio equilibrar ganhos e perdas em qualquer coisa que escolhemos fazer. O quadro abaixo, com base em Gillham (2000), Seliger & Shohamy (1989) e Gil (1999), resume alguns prs e contras sobre questionrios. Quadro 2: Prs e contras no uso de questionrios Pr questionriosContra questionriosbaixo custo pois no exige treinamento de pesquisadores facilidade em obter informaes de forma rpida e de grupos grandes de participantes, podendo ser enviado por correio ou internet respondentes podem completar o questionrio quando desejarem anlise de respostas para perguntas fechadas relativamente direta menos presso para uma resposta imediata garante o anonimato do respondente preconceitos / preferncias do entrevistador no interferem nas respostas isenta pesquisador e pesquisados de serem influenciados por consideraes pessoais de ambos padronizao de perguntas pode prover dados sugestivos para testar uma hipteseproblemas na qualidade dos dados (perfeio e preciso) necessidade para brevidade e perguntas relativamente simples quem responde fica incerto quanto ao que ser feito com os dados problemas de motivao dos respondentes enganos no podem ser corrigidos pois os participantes ficam impedidos de esclarecer dvidas durante o processo de responder o questionrio desenvolvimento de questionrio freqentemente pobre s busca a informao contida na pergunta respostas podem ser organizadas e preparadas falta de controle do pesquisador sobre dados relacionados ao contexto exclui pesquisados no alfabetizados mais fcil s pessoas falar do que escrever impossvel conferir seriedade ou honestidade s respostas quem responde fica incerto quanto ao destino dos dados podem no ser devolvidos pelos participantes itens apresentados podem ter diferentes significados para os participantesBaseado em Gillham (2000); Seliger & Shohamy (1989) Com base nas vantagens e desvantagens de utilizao do questionrio, apresentadas no quadro acima, possvel afirmar que a realizao de uma entrevista como complemento pode dar ao pesquisador dados mais consistentes sobre o fato pesquisado. 1.4. Questionrios: a possibilidade de entrevista como complemento Para compreendermos melhor a estrutura e elaborao de questionrios, importante fazermos a distino entre entrevista e questionrio, embora neste artigo nosso foco seja o questionrio. Em muitos aspectos, um questionrio apresenta situaes similares s da entrevista no que se refere s possibilidades apresentadas para perguntas e respostas. Para percebermos as diferenas, vejamos o quadro a seguir: Quadro 3: Tipos de entrevista Entrevista aberta (no estruturada / despadronizada / informal) (Magalhes, 1993; Seliger&Shohamy, 1989; Nunan, 1992; Lakatos, 1992; Gil, 1999)respostas fornecidas pelo entrevistado conduzem o curso da interao e geralmente uma pergunta pode levar a uma outra, sem que haja roteiro de perguntas a ser seguido exige pouco ou nenhum controle por parte do pesquisador h um tpico a ser desenvolvido durante a entrevista mas o entrevistado tem liberdade e o entrevistador pode obter informaes at ento no previstas recomendada nos casos que visam abordar realidades pouco conhecidas do pesquisadorEntrevista etnogrfica (Spradley, 1979)tipo particular de evento de fala; todo evento de fala possui regras culturais para comear, terminar, tomar o turno, perguntar, fazer pausas, responder entrevistador pode entrevistar sem que o entrevistado perceba ou esteja consciente de tal evento, atravs de conversa informalEntrevista semi-estruturada (Seliger&Shohamy, 1989; Nunan, 1992) (focalizada) (Magalhes, 1986; Gil, 1999)entrevistador tem um objetivo que deseja alcanar mas no utiliza roteiro preestabelecido os temas norteiam a interao possibilita ao pesquisador acesso s relaes sociais, flexibilidade necessria para conduzir a entrevista, maior controle sobre a situao de produo recomendada em casos de situaes experimentais cujo objetivo explorar a fundo alguma experi6encia vivida em condies precisasEntrevista por pautas (Gil, 1999)apresenta certo grau de estruturao pois guia-se por uma relao de pontos de interesse do entrevistador as pautas devem ser ordenadas e guardar uma relao entre si recomendada para casos em que o participante no se sente vontade para responder indagaes formuladas com maior rigidezEntrevista estruturada (padronizada / formal) (Magalhes, 1993; Seliger&Shohamy, 1989; Nunan, 1992; Lakatos, 1992; Gil, 1999)h um roteiro de perguntas totalmente predeterminado pelo pesquisador que, ao entrevistar, segue ,a risca o guia elaborado anteriormente proposto em situaes onde h grande nmero de sujeitos e as informaes desejadas so especficas e uniformes Dois so os aspectos considerados quando nos referimos complementaridade dos instrumentos questionrio e entrevista. O primeiro diz respeito s limitaes do questionrio: possvel ao pesquisador fazer uso de entrevista como um complemento para o primeiro instrumento. Assim, as perguntas da entrevista podem ter como objetivo esclarecer aspectos que no ficaram claros ou no foram compreendidos pelos participantes, durante o preenchimento do questionrio. O segundo aspecto a ser considerado diz respeito possibilidade de correo / reviso da rota considerada no questionrio. Ao elaborar e utilizar tal instrumento, possvel que o pesquisador faa uso de perguntas que, embora para ele paream objetivas e claras, no o so para o pesquisado. possvel ainda que as perguntas apresentadas contemplem apenas alguns aspectos do fenmeno pesquisado. Nesses casos, ao analisar as respostas, o pesquisador poder elaborar as questes da entrevista de forma a rever / obter dados relevantes pesquisa, no contemplados nas respostas primeiras do questionrio. No caso deste artigo, o Q2, aps ter suas respostas analisadas e classificadas, deu origem entrevista. Foi possvel perceber, como mostraremos na seo de discusso, que algumas perguntas contemplavam de forma veemente, aspectos relacionados histria de vida dos participantes e pouco se voltavam s relaes entre estas e suas aes em sala de aula. Assim, as perguntas propostas para a entrevista enfatizavam descries de aes em busca de justificativas para as respostas apresentadas nos questionrios. 1.5. Questionrios: perguntas quanto forma, ao tipo, natureza, ao contedo e temtica Neste item procuramos organizar didaticamente as possibilidades de perguntas para um questionrio, a fim de facilitar a compreenso do leitor. importante observarmos que os aspectos citados nos quadros a seguir, quando considerados na elaborao de um questionrio, contribuem para maior eficcia desse instrumento de coleta de dados. Cabe ressaltar que a maioria das perguntas oferecidas como exemplo nos quadros so parte dos dois questionrios analisados em nosso estudo. Quadro 4: Perguntas quanto forma Matriciais (Babbie, 2001)aparecem em forma de tabela de dupla entrada eficientes por agilizarem o processo de responder e permitir a comparao imediata entre as respostas perigo: o formato simplificado pode induzir o respondente a padronizar respostasAssinale e detalhe os cursos que voc j fez: Curso Nome do Instituio rea Curso Graduao Especiali- zao Aperfei- oamento Extenso Mestrado OutrosDeclarativasapresentam uma declarao e solicitam comentrio a respeitoComente a frase Eles no sabem nem portugus, para que aprender ingls?Interrogativas (direta / indireta)Diretas: aparecem topicalizadas pelos marcadores de funo interrogativa (que, quem, qual, quanto) e suas variantes, e pelos pronomes explicativos ( por que, para que, como), empregados na formulao das perguntas. Indiretas: uma forma hbrida de questionamento, em que se mescla, na declarao, uma negao.Quem dar a aula amanh no lugar do professor X? Ainda no se sabe quem dar a aula amanh no lugar do professor X.Listas (sim/no, falso/verdadeiro, mltipla escolha, escala de valores, preenchimento de lacunas)aparecem em forma de alternativas a serem consideradas pelo respondenteO ensino da gramtica um componente de seu curso? ( ) sim ( ) no Grficas aparecem em forma de imagens e solicitam que o respondente estabelea relaesAssocie as imagens s teorias de aprendizagem trabalhadas:  Quadro 5: Perguntas quanto ao tipo Pergunta fechada (tipo sim-no) (Marcuschi, 1991; Nunan, 1992; Gil, 1999)uma srie de possveis respostas j apresentada pelo entrevistador na prpria pergunta, restringindo as alternativas de rplica do entrevistado as possveis respostas so predeterminadasQue fontes voc usa para a escolha de textos para suas aulas: ( ) livro didtico ( ) revistas ( ) internet ( ) outrasPergunta aberta (informativa) (Marcuschi, 1991; Nunan, 1992)o entrevistado pode decidir o que dizer e como dizer realiza-se a partir de algum marcador do tipo Quem? Qual? O qu? Como? Por qu? Etc.Como seus alunos perceberam o objetivo da aula? Que tipos de textos voc usa em suas aulas?Pergunta dependente (Gil, 1999)pergunta que depende da resposta da pergunta anteriorVoc utiliza livro didtico? Se voc respondeu Sim, quem o escolheu? Por qu? Se foi voc quem escolheu o livro, quais seus critrios para a escolha? Se no foi voc quem escolheu o livro, sabe por que foi escolhido? Quadro 6: Perguntas quanto natureza Descritiva possibilita ao entrevistado apresentar diferentes aspectos do objeto da entrevistaConte como foi acontecendo a explicao que voc deu para seu aluno. O que voc ia dizendo? E ele, o que dizia? Como voc desenvolveu o currculo em sala de aula?Pergunta etnogrfica (Spradley, 1979) Principal instrumento para descobrir o conhecimento cultural do entrevistadoEstrutural possibilita descobrir aspectos do conhecimento cultural do entrevistado possibilitam descobrir de que forma o entrevistado organiza seu conhecimentoO que voc entende por ensinar-aprender? O que voc pensa sobre o uso de materiais extras em aula?Contrastiva possibilita descobrir as dimenses do significado que o entrevistado emprega para distinguir os objetos e eventos no seu meioO que significa para voc formar um aluno para o mundo? Por que este contedo (da aula) foi escolhido?Pergunta secundria (irrelevante)pergunta que no contribui diretamente para a progresso temtica da entrevista pergunta que possibilita a manuteno da conversa mas no necessariamente est relacionada ao tema discutido(numa investigao cujo foco a forma como o professor questiona seus alunos) Voc retirou a notcia de algum dos jornais da semana?Pergunta polmicatem como objetivo levar o entrevistado a discutir sobre uma questo relacionada ao contexto, mas que envolve discordncia ou posicionamentos opostos entre pesquisado e pesquisadorMediante o que j foi dito pelos colegas, por que voc acha que o trabalho com os jornais pode no dar certo? Comente a afirmao: Eles no sabem nem portugus, para que aprender ingls?Pergunta de esclarecimentotem como funo esclarecer a fala do outro durante a entrevistaEnto o que voc est querendo dizer que a atividade que voc preparou estava muito ampla?Pergunta delicadatrata de assuntos delicados: religio, etnia, prticas sexuais, renda, opinies sobre dilemas ticos e morais; recomendadas para o final do questionrioQual sua opinio sobre a sentena de morte por apedrejamento aplicada s nigerianas em casos de relacionamento sexual fora do casamento?Quadro 7: Perguntas quanto ao contedo Fatospara obter dados concretos sobre o participante: biogrficos (em geral, pergunta fechada) ou envolvendo situaes experienciadas, que o levem a recorrer memria (em geral, pergunta aberta)Cursos feitos por voc: graduao - ______________ especializao - __________ aperfeioamento - _________ extenso - _______________Atitudes e crenaspara obter dados referentes a fenmenos subjetivos (em geral, pergunta aberta) difceis de serem respondidas pois nem sempre as pessoas tm opinies sobre o assunto questionado ou porque tm opinies que no expressam uma posio nica sobre o assuntoO que sua prtica em sala de aula tem lhe ensinado? Como sua prtica de sala de aula contribui para a formao global de seu aluno? Quais aspectos da lngua inglesa voc acredita serem importantes desenvolver na sala de aula de ensino fundamental?Comportamento Passado / presentepara obter dados sobre a forma de ao em diferentes momentos: no passado e no presente (em geral, pergunta aberta) para obter dados sobre possveis comportamentos futuros do participante, com base em seu comportamento no passado, em situaes similares (em geral, pergunta aberta) esse tipo de pergunta pode indicar o comportamento futuro do participantea pergunta Quais aspectos da lngua estrangeira voc acredita ser importante desenvolver na sala de aula de ensino fundamental? pode ser substituda por: Como voc escolhe atividades / estratgias para suas aulas no ensino fundamental? Apresente um exemplo pessoal Qual a relevncia dessa escolha para seus alunos do ensino fundamental em relao lngua estrangeira?Sentimentospara obter dados sobre reaes emocionais do participante frente a fatos, fenmenos etc. (em geral, pergunta aberta)Comente livremente sobre seu trabalho, sobre a situao do ensino de lngua estrangeira na escola brasileira, sobre o papel do professor de lngua estrangeira ou sobre este trabalho conjunto que iniciamos hoje.Padres de aopara obter dados sobre padres ticos relativos ao que deve ser feito; podem tambm envolver consideraes prticas a respeito das aes praticadas podem oferecer um reflexo do clima predominante de opinio do participante, bem como do seu comportamento provvel em situaes especficasO que voc faz quando seu aluno age das maneiras abaixo? Por que voc acha que seu aluno tem esse tipo de comportamento? falta muito s aulas dorme em aula no faz a lio de casa no faz as atividades propostas em aula demonstra indiferena briga com colegas desacata colegas desacata vocRazes conscientes sobre crenas, sentimentos, orientaes, comportamentosformuladas com o objetivo de descobrir os porqus; referem-se dimenso consciente do participante (em geral, pergunta aberta)Que aspectos voc gostaria de desenvolver em sua prtica? Por qu?Adaptado de Gil (1999) Quadro 8: Perguntas quanto temtica Introduo ao temaperguntas relacionadas ao assunto; informaes factuais com a finalidade de motivar o participante a responder o questionrio devem ser simples, solicitando opinio direta e descomplicada ou informaes factuais bsicasPerguntas afinsperguntas cujos temas so relacionados entre si devem ser colocadas juntas possibilitando ao participante concentrar-se para responder perguntas consecutivas que tendem a provocar respostas automticas, dadas sem reflexo, devem ser evitadasPerguntas de filtragem ou peneiraformas de isolar para posterior trabalho participantes pertencentes a um subgrupo especfico relacionado a um dado subtemaBaseado em Rea & Parker, 2000; Babbie, 2001 Os contedos das respostas relacionam-se maneira como foram formuladas as perguntas. Assim, perguntas devem ser elaboradas a partir de um foco e ainda: devem ser formuladas de maneira clara, concreta e precisa; devem levar em considerao os referenciais do participante e seu nvel de informaes; devem possibilitar uma nica interpretao; no devem sugerir respostas; devem referir-se a uma nica idia de cada vez. Com base nas possibilidades apresentadas, discutiremos as perguntas dos dois questionrios- Q1 e Q2, objetos de anlise deste artigo. 2. Metodologia Formular perguntas e apresent-las a participantes de pesquisa uma das muitas prticas utilizadas por pesquisadores para a obteno de dados. Em especial, em formao de professores, essa prtica tem sido usada de modo intensivo e o estudo aqui apresentado surgiu aps aplicarmos o instrumento questionrio a grupos de pesquisa e verificarmos, mediante as respostas obtidas dos participantes, a necessidade de re-elaborao das perguntas, em funo da no clareza dos dados coletados. Assim, iniciamos uma busca por fundamentos tericos que dessem sustentao formulao de perguntas, proporcionando possveis reestruturaes de instrumentos que envolvam perguntas. Q1 vem sendo utilizado no curso Reflexo sobre a Ao: O Professor de Ingls Aprendendo e Ensinando1, e respondido pelos discentes, professores de ingls em servio na rede pblica do estado de So Paulo. Este questionrio distribudo no primeiro dia de aula do referido curso e, normalmente, ele devolvido no segundo dia letivo. A primeira elaborao do Q1 data de 1995 quando os professores docentes do curso Reflexo sobre a Ao: O Professor de Ingls Aprendendo e Ensinando reuniram-se e elaboraram a primeira verso do mesmo. Desde ento, o questionrio tem sofrido alteraes e a ltima verso, analisada neste artigo, contm sugestes da coordenadora do curso, de professores atuais do prprio curso e de alunos de um seminrio de pesquisa2. Q2 foi elaborado por uma das autoras, com o objetivo de fazer um levantamento inicial de questes relacionadas pesquisa que vem desenvolvendo com professores em servio, de diversas reas do conhecimento, no ensino universitrio. O questionrio foi enviado por e-mail aos 4 participantes da pesquisa, em dezembro de 2002, aps um dilogo entre pesquisadora e participantes, que optaram por receb-lo pelo canal citado. 2.1. Procedimentos de anlise Todas as perguntas dos dois questionrios considerados neste estudo sero apresentadas na seo de discusso, quando enfocaremos as categorias de anlise. Com base nos contedos temticos presentes nos enunciados das perguntas (Bronckart, 1997/1999), as categorias de anlise foram criadas. Assim, na categoria Perguntas relacionadas auto-briografia dos participantes, agrupamos todas as perguntas que solicitam informaes sobre dados pessoais e sobre formao acadmica dos participantes. Na categoria Perguntas relacionadas constituio profissional dos participantes esto agrupadas as perguntas que solicitam informaes sobre o processo de construo profissional do j vivido e da vivncia atual. Em Perguntas relacionadas s relaes inter e intrapessoais dos participantes em situaes de trabalho, agrupamos as perguntas que solicitam comentrios sobre a interao na relao professor-aluno. Na categoria Perguntas relacionadas ao objeto de ensino dos participantes, agrupamos as perguntas que solicitam comentrios sobre estratgias de ensino do contedo trabalhado em sala de aula. Para facilitar a compreenso do leitor, apresentamos abaixo o quadro que resume a forma como os dados foram categorizados e analisados. Quadro 9: Categorias de anlise CategoriasQuestionrio no 1Questionrio no 2Perguntas relacionadas auto-biografia dos participantesPerguntas: Dados Pessoais / Formao (A,B,C,D)Perguntas 1,2,3Perguntas relacionadas constituio profissional dos participantesPerguntas: Voc como Professor (A,B,C,D,E) Voc e Sua Aula (C,D,E,F,I,J,L) Voc e o Papel da Lngua Inglesa no Ensino Fundamental e Mdio (A,C)Perguntas 4,6,7,8,9,13Perguntas relacionadas s relaes inter e intrapessoais dos participantes em situaes de trabalhoPerguntas: Voc e seu aluno (A,B)Perguntas 5,10,11,12Perguntas relacionadas ao objeto de ensino dos participantesPerguntas: Voc e a Lngua Inglesa (A,B,G,H,M,N,O,P,R,S,T) Voc e o Papel da Lngua Inglesa no Ensino Fundamental e Mdio (B,C)Perguntas 14,15 3. Discusso Nesta seo discutiremos as perguntas dos questionrios, com base na fundamentao terica apresentada e nas categorias de anlise elencadas na seo anterior. 3.1. Perguntas relacionadas auto-biografia dos participantes Q1 (Questionrio no 1) DADOS PESSOAIS Data: ___/___/___ Nome: _____________________________________________ Endereo: __________________________________________ Cep: ____________________ E-mail prprio: ______________________________________ Telefone: ___________________ Celular: ______________ Tempo de atuao no magistrio: ___ Em ensino de ingls ___ Em outra disciplina ___ Nome da escola em que leciona: ________________________ Endereo da escola: __________________________________ E-mail da escola: ____________________________________ Segmento em que leciona: Ensino Fundamental ( ) Sries: __ Perodo: diurno ( ) noturno ( ) Ensino Mdio ( ) Sries: __ Perodo: diurno ( ) noturno ( ) Situao funcional: Em ingls ____________________________ Em outra disciplina ______ Qual? ________ Nmero de aulas semanais: Em ingls ____. Em outra disciplina ____ Qual? ________________ FORMAO A. Assinale e detalhe os cursos que voc j fez: CursoNome do cursoInstituioAno em que concluiureaDurao do cursoGraduao EspecializaoAperfeioamentoExtensoPs-grad. lato sensuMestrado Outros B. Como voc avaliaria seu curso de graduao do ponto de vista de/da: Relevncia do currculoEstrutura curricularMetodologia usada nas vrias disciplinas Contribuio que deu para seu desenvolvimento profissional Algum outro aspecto que voc gostaria de mencionar  D. Em que estgio voc entrou na Cultura Inglesa? _______________________________ Em que filial? __________________________________________________________ Voc j concluiu o curso da Cultura Inglesa? Sim ( ) No ( ) Em que estgio voc parou / est? ____________ Quando? _____________ Est cursando concomitantemente com a PUC? Sim ( ) No ( ) Dias de aula na PUC: tera-feira ( ) quinta-feira ( )  Q2 (Questionrio no 2) As trs perguntas iniciais do questionrio so abertas, interrogativas e solicitam dados dos participantes, relacionados temtica que ser desenvolvida, e podem ser considerados introdutrios ao tema. H quanto tempo voc est na instituio? Alm da funo de professor, voc desenvolve outras funes na instituio? Quais? Qual a disciplina que voc leciona? Em que cursos? O questionrio no apresenta solicitao de dados pessoais e/ou sobre formao acadmica, pelo fato de o pesquisador j ter conhecimento sobre isso em relao a cada participante. 3.2. Perguntas relacionadas constituio profissional dos participantes Q1 (Questionrio no 1) VOC COMO PROFESSOR(A) A. Em relao a uma aula recente de ingls dada por voc: qual o contedo trabalhado? _____________ como voc o desenvolveu em sala de aula? _ quem escolheu esse contedo? ___________ por que esse contedo foi escolhido? ______ para que esse contedo foi escolhido? _____ B. Como voc se v como professor(a) de ingls? C. Que aspectos voc gostaria de desenvolver em sua prtica? Por qu? D. Como voc tem buscado desenvolver-se profissionalmente? Explique sua resposta. E. O que sua prtica em sala de aula tem lhe ensinado? Com o objetivo de propiciar contexto para a reflexo sobre seu prprio fazer, as perguntas acima sugerem ao participante que descreva situaes de sua prtica profissional. VOC E SUA AULA C. Voc utiliza livro didtico? Qual (quais) e quem o(s) escolheu? Se no foi voc quem escolheu o livro, sabe por que ele foi escolhido? Se foi voc quem escolheu o livro, quais foram os critrios usados?   D. Que tipo de atividade voc desenvolve a partir do livro didtico? E. O que voc pensa sobre o uso de materiais extra em aula?  F. Que atividades voc poderia desenvolver / desenvolve a partir dos materiais complementares? Por qu? Para qu?  I. Que tipos de texto voc usa em suas aulas? J. Que fontes voc usa: livro didtico ( ) revistas ( ) internet ( ) outros ( )  A pergunta dependente J apresenta um carter de duplicidade em relao pergunta H (Como voc faz o planejamento de suas aulas de ingls?). possvel ao participante interpret-la como relacionada tanto ao planejamento das aulas quanto ao tipo de texto usado em aula. Assim, como pergunta dependente, deveria ser apresentada sem o indicador J. L. Para voc, qual a diferena entre texto didtico e texto autntico? Pode-se trabalhar com ambos igualmente? Exemplifique sua resposta.  A marca lingstica qual a diferena entre pressupe que o participante conhea o significado de texto didtico e de texto autntico. Neste sentido, pode ser considerada uma pergunta delicada pois o participante ter de assumir um posicionamento frente a algo que talvez desconhea.. Assim, a pergunta poderia ser reformulada da seguinte forma: O que voc entende por texto didtico? O que voc entende por texto autntico? Voc trabalharia / trabalha com ambos igualmente? Exemplifique sua resposta. VOC E O PAPEL DA LNGUA INGLESA NO ENSINO FUNDAMENTAL E MDIO Comente a afirmao: Eles no sabem nem portugus, para que aprender ingls.  C. Comente livremente sobre seu trabalho, sobre a situao do ensino de lngua estrangeira na escola brasileira, sobre o papel do professor de lngua estrangeira ou sobre este trabalho conjunto que iniciamos hoje.  Q2 (Questionrio no 2) 4. O que para voc ser professor? 6. Como voc v a relao de ensino-aprendizagem na sua aula? 7. Voc pode dar um exemplo de uma aula sua? (Como voc trabalha com os seus alunos, quais os mtodos que voc utiliza etc.) 8. Como voc entende a linguagem? 9. O que para voc ensinar aprender? 13. Voc costuma rever suas aes no decorrer de seu trabalho? Como voc faz isso?  3.3. Perguntas relacionadas s relaes inter e intrapessoais dos participantes em situaes de trabalho Q1 (Questionrio no 1) VOC E SEU ALUNO A. O que voc faz quando seu aluno age das maneiras abaixo? Por que voc acha que seu aluno tem esse tipo de comportamento? Ao do alunoJustificativa p/ a ao do alunoAo do professorFalta muito s aulasDorme em aulaNo faz a lio de casaNo faz as atividades propostas em aula  Demonstra indiferenaBriga com os colegasDesacata os colegas Desacata voc  B. Como sua prtica de sala de aula contribui para a formao global de seu aluno?  Q2 (Questionrio no 2) 5. Como voc v a relao professor aluno em sala de aula? 10. O que voc considera mais importante para os alunos que voc ensina? 11. Quem o seu aluno? 12. Qual o aluno que voc pretende formar?  3.4. Perguntas relacionadas ao objeto de ensino dos participantes Q1(Questionrio no 1) VOC E SUA AULA A .Quais aspectos da lngua estrangeira voc acredita ser importante desenvolver na sala de aula de ensino fundamental? Quais aspectos da lngua estrangeira voc acredita ser importante desenvolver na sala de aula de ensino mdio?  G. Como foi elaborado o planejamento de Ingls em sua escola? Ele se baseia em algum livro didtico? H. Como voc faz o planejamento de suas aulas de ingls?  Em G, o participante teria maior liberdade de expressar-se em relao ao embasamento do planejamento se a pergunta Ele se baseia em algum livro didtico? fosse modificada para Em que ele se baseia?. M. O ensino da pronncia um componente de seu curso? Sim ( ) No ( ) Por qu? Se voc respondeu Sim, diga resumidamente como voc trabalha o aspecto pronncia em sala de aula. N. O ensino da gramtica um componente do seu curso? Sim ( ) No ( ) Por qu? Se voc respondeu Sim, diga resumidamente como voc trabalha o aspecto gramtica em sala de aula.   O. Que tipos de materiais voc seleciona: para o desenvolvimento da compreenso e produo oral? para o desenvolvimento da compreenso e produo escrita? P. Como voc explora esses materiais?  VOC E O PAPEL DA LNGUA INGLESA NO ENSINO FUNDAMENTAL E MDIO B. Como voc v o papel da lngua estrangeira Ingls no Ensino Fundamental e no Ensino Mdio da escola brasileira? Q2(Questionrio no 2) Como voc v a importncia da lngua na formao do professor?  importante para voc terminar o contedo proposto? Por qu?  Ao classificarmos as perguntas de Q1 e Q2, um aspecto nos chamou a ateno: o nmero excessivo de perguntas relacionadas categoria Perguntas relacionadas constituio profissional dos participantes, seguida da categoria Perguntas relacionadas ao objeto de ensino dos participantes. Tais perguntas so, em sua grande maioria, de natureza etnogrfica (estrutural e contrastiva), ou seja, com foco no conhecimento cultural dos participantes, na construo cognitiva do conhecimento, apresentando menor preocupao com suas aes. possvel, portanto, que, ao elaborarmos os questionrios, nossa preocupao estivesse voltada ao aspecto conhecimento cultural e de mundo dos participantes, e relao disso com as aes em sala de aula. Embora no apresentemos, neste artigo, respostas dadas pelos participantes, importante salientarmos que a preocupao em estudar questionrios surgiu exatamente a partir das respostas que nos eram apresentadas e de situaes de discrepncia entre as representaes dos participantes em relao ao seu conhecimento cultural e do mundo vivido e as representaes sobre suas aes em sala de aula. Dessas discrepncias nasceram nossas dvidas: o que, de fato, nossas perguntas revelam aos participantes de pesquisa? O que elas deixam de revelar? 4. Algumas consideraes finais Com a realizao do estudo sobre questionrios, foi possvel trilhar um outro rumo para a elaborao de perguntas que os constituem. possvel dizer ainda, que nosso caminhar tornou-se mais consciente e responsvel em relao construo de questionrios como instrumentos de pesquisa. Em geral, tendemos a considerar essa tarefa como o simples ato de criar uma lista de perguntas para os participantes de pesquisa responderem, de forma que nossos objetivos sejam atendidos. No entanto, aps a anlise dos questionrios, ficou patente a necessidade de conhecer profundamente o tipo de pergunta feita de forma a criar espaos para respostas que no s atinjam aos objetivos de pesquisa propostos, como tambm sirvam de ponto de partida mais consistente para a reflexo sobre a prtica de nossos participantes de pesquisa. No entanto, o que significa conhecer profundamente os tipos de perguntas? Em nosso estudo, percebemos que um meio de conhec-las saber classific-las quanto ao seu tipo, seu fim, sua natureza, sua caracterstica e sua temtica, de forma que possamos ter clareza sobre o tipo de resposta que poder ser gerada, a fim de obtermos condies para elaborar perguntas mais condizentes com os objetivos de nossos estudos. 4. Referncias bibliogrficas BABBIE, Earl. (2001) Mtodos e Pesquisas de Survey. Belo Horizonte: Editora UFMG. GIL, Antonio Carlos. (1999) Mtodos e Tcnicas de Pesquisa Social. 8a ed. So Paulo: Editora Atlas. GILLHAM, Bill. (2000) Developing a Questionnaire. 1st ed. Continuum Wellington House. London. LAKATOS, Eva Maria. (1992) Metodologia do Trabalho Cientfico: procedimentos bsicos, pesquisa bibliografia, projeto e relatrio, publicaes e trabalhos cientficos. 4a ed. So Paulo: Atlas. MAGALHES, Maria Ceclia Camargo (1993) Etnografia Crtica e Anlise do Discurso: teoria crtica e desenvolvimento do professor. Anais do XLI Seminrio do GEL. Instituto Moura Lacerda, Ribeiro Preto, 20-22/05/93. MARCUSCHI, Luis Antnio. Anlise da conversao. So Paulo: tica, 1991. NUNAN, David (1992) Research methods in language learning. Cambridge: Cambridge University Press. PARKER, Richard A.; REA, Louis M. (2000) Metodologia de Pesquisa: do planejamento execuo. So Paulo: Editora Pioneira. SELIGER, Herbert W.; SHOHAMY, Elana. (1989) Second Language: research methods. 2sd imp. New York: Oxford University Press. SPRADLEY, James P. (1979) The Ethnografic Interview. Chicago: Holt, Rinehart and Winston 5. Notas 1. ministrado na COGEAE/ PUC-SP sob coordenao da Profa. Dra. Maria Antonieta Alba Celani -LAEL/PUC-SP 2. oferecido pela Profa. Dra. Maria Antonieta Alba Celani, no segundo semestre de 2002, no LAEL- PUC/SP-     NININ,M.O.&HAWI,M.M.&MELLO,D.M.&DAMIANOVIC,M.C,(2005) Questionrios: Instrumentos de Reflexo em Pesquisas em Lingstica Aplicada. In: Contexturas.p91-114 Perguntas fechadas; informativas sobre dados biogrficos Pergunta fechada; informativa sobre fatos; em forma matricial Os dados solicitados no so referentes a detalhes dos cursos mas sim, a informaes gerais. Pergunta etnogrfica contrastiva possibilita descobrir as dimenses do significado que o participante emprega para distinguir objetos e eventos no seu meio Perguntas etnogrficas estruturais possibilita descobrir aspectos do conhecimento cultural do participante e de que forma ele organiza seu conhecimento O enunciado apresenta a palavra avaliaria mas, no entanto, o desejo do pesquisador era que o participante expusesse seu ponto de vista sobre os itens citados, detalhando-os para explicar sua posio. Dessa forma, poderamos reconstruir o item B da seguinte forma: Em relao ao seu curso de graduao, qual seu ponto de vista sobre os itens abaixo? Justifique, apresentando detalhes sobre cada um deles. Esta pergunta pode ser considerada como uma pergunta etnogrfica pelo fato de ser apresentada num mesmo bloco que as demais consideradas etnogrficas. Sendo assim, o participante poder ser induzido a comentar ainda sobre fatos envolvendo seu curso de graduao, podendo a resposta apresentar um carter descritivo, estrutural ou contrastivo, ou ainda nenhum deles, tornando-se uma resposta irrelevante em relao s expectativas e ao foco do pesquisador. Esta uma pergunta fechada, que solicita informaes do participante.Pode ser considerada uma pergunta delicada pois o participante ter de assumir frente ao pesquisador seu no conecimento da lngua inglesa, caso tenha anteriormente concluido os estgios da Cultura Inglesa. A relevncia desse tem est em o pesquisador vir a conhecer qual conhecimento sobre a lngua o participante tem no momento da realizao da pesquisa. Sendo assim, poderia ser reformulada para Em que estgio voc entrou na Cultura Inglesa? Em que filial? Est cursando concomitantemente com a PUC? Sim ( ) No ( ) Dias de aula na PUC: tera-feira ( ) quinta-feira ( ) Perguntas abertas interrogativas afins; informativas sobre: (experincias da vivncia do participante (razes conscientes do participante em relao sua forma de agir e padres de ao (atitudes e crenas do participante Pergunta aberta interrogativa, seguida de perguntas dependentes, informativas sobre a experincia profissional do participante: Pergunta aberta interrogativa, informativa sobre a experincia profissional do participante: Pergunta etnogrfica estrutural (que visa descobrir aspectos do conhecimento cultural do participante) contrastiva (que busca descobrir as dimenses do significado que o participante emprega para distinguir os objetos / eventos em seu meio. Pergunta aberta interrogativa. Ao solicitar por qu? e para qu? esta pergunta vai em busca de razes conscientes do participante sobre suas crenas e atitudes O tema se inicia por uma pergunta aberta interrogativa. Porem, logo em seguida, apresenta uma pergunta fechada dependente. Pergunta aberta interrogativa. No leva em conta os referenciais do participante e nem seu nvel de informao. Pergunta aberta polmica em busca de levar o participante a expor seu ponto de vista sobre questes relacionadas a seu contexto de ao. Pergunta etnogrfica aberta, informativa sobre fatos situaes vivenciadas pelo participante e modo de pensar sobre o contexto de trabalho, com base em seu conhecimento de mundo. O pesquisador pode obter dados sobre sentimentos do participante e sobre suas expectativas frente a situaes de mudana. Perguntas abertas, interrogativas, etnogrficas estruturais, em busca de descobrir aspectos do conhecimento cultural do entrevistado, relacionados a atitudes ou crenas. Pergunta aberta, de esclarecimento, em busca de padres de ao. Pergunta aberta, interrogativa, etnogrfica descritiva, em busca de descobrir dimenses do significado que o entrevistado emprega para distinguir situaes em seu meio de atuao. Considerando-se o enunciado A, esta pergunta pode ser classificada com fechada pois apresenta itens que devero ser comentados pelo participante. Cada item, no entanto, pode ser considerado como uma pergunta aberta, por permitir a ele decidir sobre como dizer. Os itens buscam revelar padres de ao sobre situaes da experincia vivenciada pelo participante. Pergunta aberta, interrogativa, informativa sobre atitudes e crenas do participante. Em relao ao processo de reflexo crtica, a pergunta pode ser considerada como desencadeadora da ao de confrontar, isto , levar o participante a buscar as razes sociais para explicar suas aes em sala de aula. Pergunta aberta, etnogrfica descritiva, que permitir ao participante expr diferentes aspectos do tema pesquisado. Pergunta aberta interrogativa, etnogrfica estrutural, pode estar relacionada a atitudes ou crenas do entrevistado. Perguntas abertas, interrogativas etnogrficas contrastivas, em busca de razes conscientes sobre crenas, orientaes e comportamentos. Perguntas abertas, interrogativas, etnogrficas estruturais, em busca de descobrir aspectos do conhecimento cultural do entrevistado relacionados ao objeto de ensino. Pode ser entendida tambm como etnogrfica contrastiva, pelo fato de j haver sido solicitado do participante parecer sobre o ensino da lngua inglesa durante seu curso de graduao. Perguntas abertas, interrogativas, informativas sobre situaes experienciadas pelo participante. M e N so perguntas fechadas. No entanto, ao solicitarem Por qu?, buscam razes conscientes dos participantes sobre suas crenas e atitudes, de forma aberta. Ambas so seguidas de perguntas dependentes, informativas descritivas sobre situaes vivenciadas pelo participante. A perguntas O aberta, interrogativa. em busca de posicionamento do participante sobre suas aes e convices em relao ao objeto de ensino. P apresenta-se como pergunta dependente, informativa descritiva sobre situaes vivenciadas pelo participante. Pergunta aberta, interrogativa, etnogrfica contrastiva em busca de descobrir as dimenses do significado que o participante emprega para distinguir situaes e caractersticas em seu meio. Solicita ponto de vista sobre questo relacionada ao contexto de ao do participante. Pergunta aberta, interrogativa, etnogrfica estrutural. Solicita ponto de vista relacionado ao conhecimento cultural e de mundo do participante. Pergunta aberta, interrogativa, etnogrfica contrastiva, em busca de razes conscientes sobre as aes do participante. Considerar importante ou no concluir contedos no implica em, na verdade, conclu-los ou no em situaes de ao do participante.   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Assimem Lingstica Aplicada.em Lingstica Aplicada. Inem pesquisa. AEM PESQUISAS NA LINGSTICAem servio. Diferentes em servio. O Maria MELLO ProductID      & ) 0 J Q Y`!!f!m!******111111444442577s8x8;;;;EEGGGGG G"G*GHHKKKK*M3M;M@MPPd*deeeeffffqq}%}W[{7:;[aBGIOPUV|}DElnqrͧϧ;lרר٨٨ڨڨܨݨߨz'+}5Iy &\_#*pv;GKXkr) / !""##$$X%Z%-'/'(())3+4+]+n+++++?,K,|,,,,,, --V-\-----. .:.E.w.{.....l/{//////0B0H0g0h000001 1318111124425;5556666&7*777\8k88899"9-999_:h:::;;<<<<}CCE*EmEnEEEEE:F@FFFUG_GGGHHJJJ#JJJJJ[K\KKKSLULLLLLLLLMHMIM}MMONWNNNiOjOOOPP QQTQ`QRRS"SkSsSrTuTUUVVVV W,WWWXXXX_YcYYYy[}[[[\\\\i^m^__Y`^`_adatayaaaaaaaaaaaabIbYbZbdb=c>cocxccc\dedddddseyeffffffJgOgvgyggg|hhnnrrtttttu:uuv4}CEFL'?A33333֨רר٨٨ڨڨܨݨߨרר٨٨ڨڨܨݨߨy]$] h -ur .T[_ KLn(4KLp6$c?%KL#*"4Z8?88<:=:_:;;<<<eEEEFGGHGUGGGGG8IIIJcJJJJKRKSKTKwKK~L M MHMM.N/NONN_O`OaOOOOPPQQRRRRRRSS_T`TrT'UUUV@VVVVJWWWWXXKYLY_Y]ZV[W[y[\[^\^i^^___` b bZbbcc6c\cocKdLd\dNeOeseeettttttuCuSuTuu)v@vAvvvvvwwwwQ|||||||||||||||||||||||} } } } } }}}}}}}}}2}3}4}5}6}7}8}B}C}D}E}F}G}H}O}P}Q}R}S}T}U}V}}}}}}}}}}}9~;~<~p~q~r~]kƐǐȐɐ '()*?@ABWXYZijkl֨@X`@UnknownGz Times New Roman5Symbol3& z ArialMFLucida Handwriting;Wingdings?5 z Courier New"1wyf{wF-avV/avV/!4d2HX ?q2MQUESTIONRIOS: INSTRUMENTOS DE REFLEXO EM PESQUISAS NA LINGSTICA APLICADA MonaMaria Cristina                        Oh+'0 , DP p |  PQUESTIONRIOS: INSTRUMENTOS DE REFLEXO EM PESQUISAS NA LINGSTICA APLICADA Mona Normal.dotMaria Cristina5Microsoft Office Word@NSI@hÆJ@ꇝM@av՜.+,D՜.+,|8 hp|   /V NQUESTIONRIOS: INSTRUMENTOS DE REFLEXO EM PESQUISAS NA LINGSTICA APLICADA Ttulo 8@ _PID_HLINKSAx h mailto:otilianinin@terra.com.br   !"#$%&'()*+,-./0123456789:;<=>?@ABCDEFGHIJKLMNOPQRSTUVWXYZ[\]^_`abcdefghijklmnopqrstuvwxyz{|}~      !"#$%&'()*+,-./0123456789:;<=>?@ABCDEFGHIJKLMNOPQRSTUVWXYZ[\]^_`abcdefghijklmnopqrstuvwyz{|}~Root Entry FP\Data tX1TablexJWordDocument1SummaryInformation(DocumentSummaryInformation8CompObju  F#Documento do Microsoft Office Word MSWordDocWord.Document.89qRoot Entry FsData tX1TablexJWordDocument1  ՜.+,D՜.+,|8 hp|   /V NQUESTIONRIOS: INSTRUMENTOS DE REFLEXO EM PESQUISAS NA LINGSTICA APLICADA Ttulo 8@ _PID_HLINKSAx h mailto:otilianinin@terra.com.br SummaryInformation(DocumentSummaryInformation8CompObju QUESTI~1.DOC  ! A ( @?!A Ff (  |jxaLjS%%$tttnnފhنeӁ_ՀY}WvQsQnJnJiC`7IJnY%%$ϽƳt%%$ϽϽϽϽμͻͻͺ˹˹˷ʷɶȵȵǴƴǴ%%$9 &0AQuestionariosInstrumentosContexturasDamianovicHawiMelloNinin.doc77.doc77AQuestionariosInstrumentosContexturasDamianovicHawiMelloNinin.doc7 7 77@@ݣWE @@ݣWE   ! HhHj{ܼHhHj{ܼ^d = 7 DXࡱ> &( '`ebjbjss4zgO*sss8 tDNt*(>w>w>w>w>wxxxēƓƓƓƓƓƓ$ѕh9{xx{{>w>w0 { >w>wē {ē nܐ$>w2w ss~f Xl/z ØØ@$Ø$4xx y| zxxx^xxx{{{{***$6NJ)***NJ*** QUESTIONRIOS E PROGRAMAS DE FORMAO EM SERVIO: ANALISANDO E CRUZANDO DADOS Mona Mohamed HAWI (COGEAE, PUC-SP/UNIFIEO) Dilma Maria de MELLO (UFU) Maria Cristina DAMIANOVIC (UNITAU) Maria Otlia NININ (COGEAE,PUC-SP/CAPES-LAEL-PUC-SP) RESUMO: Este artigo apresenta uma discusso sobre a estrutura de dois questionrios utilizados em pesquisas na rea de formao de professores. Com base nas caractersticas das perguntas dos questionrios e nas respostas obtidas dos participantes das pesquisas, este artigo tem por objetivo propor a reconstruo dos instrumentos, despertar pesquisadores para a importncia da tarefa de elaborao de questionrios para coleta de dados e para o cuidado necessrio quanto escolha dos temas em destaque, nas perguntas dos questionrios. Retomando aspectos tericos j discutidos por Ninin et al. (2003), optamos, neste artigo, por uma anlise semntica das respostas dos questionrios, com o objetivo de criticar e reconstruir os enunciados das perguntas. PALAVRAS-CHAVE: questionrio; perguntas; formao de professores em servio; instrumentos de coleta de dados. ABSTRACT: This article presents a discussion on the structure of two questionnaires used in researches in the area of in-service teacher education. Based on the characteristics of the questionnaires questions and on the answers from the researches participants, this article aims at proposing a reconstruction of the instruments, alerting researchers to the importance of the task of elaborating questionnaires for data collection and highlighting the necessity to be careful about the choice of the themes which are present in the questionnaires questions. Based on theoretical aspects which have already been discussed in Ninin et al. (2003), we have carried out a semantic analysis of the questionnairesanswers with the objective of criticizing and rebuilding the statements of the questions. KEY-WORDS: questionnaire; questions ; in-service teacher education; instruments for data collection. Introduo Em artigo recente (Ninin et al., 2003), estudamos e discutimos alguns pressupostos tericos acerca de questionrios. Foram abordados conceitos sobre questionrios estruturados e no estruturados; vantagens e desvantagens de usar questionrios em situaes de coleta de dados; semelhanas e diferenas entre questionrios e entrevistas; caractersticas das perguntas de um questionrio quanto forma, ao tipo, natureza, ao contedo e temtica. Nosso interesse por esse tema se deve ao fato de que, em pesquisas que realizamos com professores, percebamos, a cada momento em que utilizvamos questionrios, que as respostas obtidas nem sempre iam ao encontro de nossas expectativas. Assim, iniciamos uma busca por abordagens tericas que sustentassem as discusses advindas das respostas aos questionrios e que nos permitissem, igualmente, reconstruir os enunciados das perguntas apresentadas aos participantes de pesquisa. O estudo terico das caractersticas presentes em perguntas de um questionrio, aliado anlise das respostas obtidas, que d sustentao a este artigo. Dessa forma, ao discutirmos nossos dados, categorizamos as perguntas dos questionrios analisados e procuramos, atravs de anlise semntica das respostas, encontrar pontos de convergncia e divergncia entre perguntas e respostas. O primeiro questionrio (Q1) foi apresentado em um curso de formao para professores de ingls da rede pblica do Estado de So Paulo em servio, Reflexo Sobre a Ao: o Professor de Ingls Aprendendo e Ensinando; o segundo questionrio (Q2) foi entregue a quatro professores universitrios de um curso de Letras de uma universidade privada da cidade de Osasco SP, participantes de uma pesquisa com foco em aes na sala de aula. Ao concluirmos o artigo j citado (Ninin et al., 2003), vimos que h novas formas de analisar os questionrios. Surgiram curiosidades que nos inspiraram a escrever este novo artigo. Nossas dvidas eram: De que forma possvel analisar as perguntas a partir das respostas? As respostas obtidas correspondem s expectativas do pesquisador que as elaborou? Qual a relevncia das escolhas lexicais utilizadas nas perguntas, para a determinao das respostas? Neste artigo, portanto, apresentamos algumas perguntas de ambos os questionrios, escolhidas de acordo com o critrio divergncia entre objetivo da pergunta e resposta dada pelos participantes, com base na anlise semntica das respostas obtidas. Fundamentao terica Este artigo se organiza em quatro sees que tm por objetivo tratar, sob o ponto de vista terico, os aspectos que envolvem a construo de um questionrio e sua anlise. Na primeira seo Questionrios: aspectos gerais que permeiam sua elaborao, apresentaremos conceitos bsicos que envolvem um questionrio e algumas dificuldades em trabalhar com esse instrumento como fonte de dados para pesquisas. Na segunda, Questionrios: prs e contras em relao ao seu uso, apresentaremos, alm das vantagens e desvantagens do uso dos questionrios, possveis formas de complementar os dados obtidos. A terceira, Questionrios: caractersticas, discutir as diferentes possibilidades para a elaborao das perguntas, quanto forma, ao tipo, natureza, ao contedo e temtica. Finalmente, na quarta seo Questionrios: da cincia dos significados semntica, discutiremos o referencial de anlise que nos permitiu analisar as respostas dos participantes visando reconstruo dos questionrios. 1.1. Questionrios: aspectos gerais que permeiam sua elaborao A elaborao de um questionrio para coleta de dados em pesquisa est relacionada pergunta geral da pesquisa, s perguntas especficas e ao nmero de pesquisados. Gillham (2000) alerta-nos para o fato de que desenvolver um questionrio cujos dados valham a pena difcil. Se as questes apresentadas ao pesquisador forem do tipo sim/no, concordo/discordo e/ou mltipla escolha, o pesquisador ter maior facilidade na tabulao dos dados, porm, ter que decidir sobre as possibilidades de respostas a oferecer ao pesquisado. Assim, quanto maior o nmero de opes oferecido mais significativos sero os dados que o pesquisador ter para anlise. Um aspecto, no entanto, deve estar presente s reflexes do pesquisador, sempre que fizer uso de questionrios: quais as possveis interpretaes para as perguntas apresentadas? Ou seja, perguntas de um questionrio no sero entendidas por participantes de pesquisa segundo a tica do pesquisador apenas, mas segundo critrios pessoais relacionados ao conhecimento de mundo de quem tem a tarefa de responder s perguntas e isso implica um olhar abrangente do pesquisador no sentido de antever possveis interpretaes para as perguntas, no se prendendo apenas sua viso. Ao elaborar um questionrio, portanto, importante que o pesquisador tente utilizar diferentes estilos de perguntas / respostas, de modo a no tornar o questionrio enfadonho e cansativo para o pesquisado. Gillham (2000) observa que questionrios mal elaborados podem apresentar respostas sem que realmente estejam relacionadas inteno e/ou ao do pesquisado e que, nesses casos, pouco contribuiro para a pesquisa. Segundo Gil (1999:133-4), a escolha das questes de um questionrio est condicionada a fatores tais como a natureza da informao desejada e o nvel sociocultural dos interrogados, dentre outros. O autor sugere, ainda, que algumas regras bsicas sejam observadas: incluir apenas questes relacionadas ao problema pesquisado; no incluir questes cujas respostas possam ser obtidas de forma mais precisa por outros procedimentos; levar em conta as implicaes da questo com os procedimentos de tabulao e anlise dos dados; incluir apenas questes que possam ser respondidas sem maiores dificuldades; evitar questes que penetrem na intimidade das pessoas. Quanto escala de explicitao, os questionrios podem apresentar diferentes graus que vo desde os no-estruturados, com baixo grau de clareza, incluindo-se a perguntas abertas para as quais esperado que o pesquisado responda de uma maneira descritiva, at os estruturados, com alto grau de clareza, que requerem do participante marcas claras sobre acordos e/ou desacordos, seleo entre vrias alternativas. Quanto s respostas obtidas por meio dos questionrios, o pesquisador poder deparar-se com situaes em que os participantes utilizam-se de mecanismos de defesa em busca de proteger-se de situaes que os constranja ou os avalie. Algumas medidas podero ser tomadas quando da elaborao do questionrio, na tentativa de minimizar essa questo apontada. a) Em defesa da face: quando o participante acredita que sua resposta permite que ele seja julgado pelo pesquisador, pode responder de forma estereotipada, encobrindo sua real posio. Convm, portanto, evitar iniciar um questionrio por perguntas que trazem esse risco. Perguntas articuladas podem minimizar essa situao pois o pesquisador poder, a partir da triangulao dos dados, verificar a autenticidade das respostas. b) Em defesa de posies pessoais: quando o participante se v frente a perguntas que solicitam opinio pessoal, como por exemplo, O que voc pensa sobre tal coisa? ou Em sua opinio, por que ..., a resposta pode ser evasiva, com alegao de no estar seguro sobre o assunto ou no ter opinio sobre ele. Convm, portanto, no iniciar um questionrio com esse tipo de pergunta. Perguntas indiretas podem trazer maior contribuio ao pesquisador sobre as opinies pessoais do participante. c) Em defesa do conservadorismo: a resistncia s mudanas natural e participantes podem apresentar respostas que indiquem conformismo, quando se trata de assumir mudanas. As escolhas lexicais para o caso de perguntas sobre mudanas devem ser cuidadosas. Nesse caso, perguntas indiretas tambm podem trazer maior contribuio ao pesquisador. d) Palavras estereotipadas: a utilizao de jarges (no caso das pesquisas educacionais) podem levar o participante a apresentar preferncias por determinadas respostas. Devem ser evitadas, portanto, palavras carregadas de peso ideolgico e/ou modismos pedaggicos. e) Referncias a personalidades em destaque: deve-se evitar referncias a pessoas que suscitam simpatia, antipatia, autoridade moral, desprezo poltico etc., em busca de minimizar a explicitao de juzo de valor por parte do participante. Questionrios: prs e contras em relao ao seu uso Os itens relacionados a seguir, baseados em Gillham (2000), Seliger & Shohamy (1989) e Gil (1999) resumem pontos relevantes ao pesquisador, sobre o uso de questionrios para coleta de dados em pesquisas. Pr questionrios baixo custo, pois no exige treinamento de pesquisadores; facilidade em obter informaes de forma rpida e de grupos grandes de participantes, podendo ser enviado por correio ou internet; respondentes podem completar o questionrio quando desejarem; anlise de respostas para perguntas fechadas relativamente direta; menos presso para uma resposta imediata; garante o anonimato do respondente; preconceitos / preferncias do entrevistador no interferem nas respostas; isenta pesquisador e pesquisados de serem influenciados por consideraes pessoais de ambos; padronizao de perguntas; pode prover dados sugestivos para testar uma hiptese. Contra questionrios problemas na qualidade dos dados (perfeio e preciso); necessidade para brevidade e perguntas relativamente simples; quem responde fica incerto quanto ao destino dos dados; problemas de motivao dos respondentes; enganos no podem ser corrigidos pois os participantes ficam impedidos de esclarecer dvidas durante o processo de responder o questionrio; desenvolvimento de questionrio freqentemente pobre; s busca a informao contida na pergunta; respostas podem ser organizadas e preparadas; falta de controle do pesquisador sobre dados relacionados ao contexto; exclui pesquisados no alfabetizados; mais fcil s pessoas falar do que escrever; impossvel aferir a seriedade ou honestidade das respostas; dados nem sempre so devolvidos pelos participantes; itens apresentados podem ter diferentes significados para os participantes. Com base nas vantagens e desvantagens de utilizao do questionrio, apresentadas acima, possvel afirmar que a realizao de uma entrevista como complemento pode dar ao pesquisador dados mais consistentes sobre o fato pesquisado. Numa das pesquisas envolvidas neste artigo, uma entrevista foi utilizada aps a coleta de dados via questionrio, visando obteno de esclarecimentos em relao s respostas dadas pelos participantes. A utilizao desse segundo instrumento s foi possvel mediante anlise das respostas ao questionrio e verificao de inconsistncias no somente em relao s expectativas do pesquisador, mas tambm em relao prpria elaborao do questionrio. Questionrios: caractersticas Neste item procuramos organizar didaticamente as possibilidades de perguntas para um questionrio, a fim de facilitar a compreenso do leitor. importante observar que os aspectos citados a seguir, quando considerados na elaborao de um questionrio, contribuem para maior eficcia desse instrumento de coleta de dados. Cabe ressaltar que a maioria das perguntas oferecidas como exemplo nos quadros pertencem aos dois questionrios analisados em nosso estudo. Perguntas quanto forma Matriciais (Babbie, 2001): aparecem em forma de tabela de dupla entrada; mostram-se eficientes, por agilizarem o processo de responder e permitir a comparao imediata entre as respostas; perigo: o formato simplificado pode induzir o respondente a padronizar respostas. Exemplo: Assinale e detalhe os cursos que voc j fez: Tabela 1 CursoNome do CursoInstituioreaGraduaoEspecializaoAperfeioamentoExtensoMestradoOutros Declarativas: apresentam uma declarao e solicitam comentrio a respeito. Exemplo: Comente a frase Eles no sabem nem portugus, para que aprender ingls? Interrogativas (diretas / indiretas): diretas: aparecem topicalizadas pelos marcadores de funo interrogativa (que, quem, qual, quanto) e suas variantes, e pelos pronomes explicativos (por que, para que, como), empregados na formulao das perguntas. Exemplo: Quem dar a aula amanh, no lugar do professor X? indiretas: forma hbrida de questionamento, em que se mescla, na declarao, uma negao. Exemplo: Ainda no se sabe quem dar a aula amanh, no lugar do professor X. Listas (sim/no, falso / verdadeiro, mltipla escolha, escala de valores, preenchimento de lacunas): aparecem em forma de alternativas a serem consideradas pelo respondente. Exemplo: O ensino da gramtica um componente de seu curso? ( ) sim ( ) no Grficas: aparecem em forma de imagens e solicitam que o respondente estabelea relaes. Exemplo: Associe as imagens s teorias de aprendizagem trabalhadas: Figura 1  Perguntas quanto ao tipo Pergunta fechada (tipo sim-no) - (Marcuschi, 1991; Nunan, 1992; Gil, 1999) uma srie de possveis respostas j apresentada pelo entrevistador na prpria pergunta, restringindo as alternativas de rplica do entrevistado; as possveis respostas so predeterminadas. Exemplo: Que fontes voc usa para a escolha de textos para suas aulas: ( ) livro didtico ( ) internet ( ) revistas ( ) outros Pergunta aberta (informativa) - (Marcuschi, 1991; Nunan, 1992) o entrevistado pode decidir o que dizer e como dizer; realiza-se a partir de algum marcador do tipo Quem? Qual? O qu? Como? Por qu? etc. Exemplo: Como seus alunos perceberam o objetivo da aula? Que tipos de textos voc usa em suas aulas? Pergunta dependente (Gil, 1999) pergunta que depende da resposta da pergunta anterior. Exemplo: Voc utiliza livro didtico? Se voc respondeu Sim, quem o escolheu? Por qu? Se foi voc quem escolheu o livro, quais seus critrios para a escolha? Se no foi voc quem escolheu o livro, sabe por que foi escolhido? Perguntas quanto natureza Pergunta etnogrfica (Spradley, 1979): principal instrumento para descobrir o conhecimento cultural do entrevistado. Descritiva - possibilita ao entrevistado apresentar diferentes aspectos do objeto da entrevista. Exemplo: Conte como foi acontecendo a explicao que voc deu para seu aluno. O que voc ia dizendo? E ele, o que dizia? Estrutural - possibilita descobrir aspectos do conhecimento cultural do entrevistado; possibilita descobrir de que forma o entrevistado organiza seu conhecimento. Exemplo: O que para voc ser professor? Contrastiva - possibilita descobrir as dimenses do significado que o entrevistado emprega para distinguir os objetos e eventos no seu meio. Exemplo: O que significa para voc formar um aluno para o mundo? Pergunta secundria (irrelevante em relao ao tema): pergunta que no contribui diretamente para a progresso temtica da entrevista; pergunta que possibilita a manuteno da conversa mas no necessariamente est relacionada ao tema discutido. Exemplo: numa investigao cujo foco a forma como o professor questiona seus alunos, a pergunta Voc retirou a notcia de algum dos jornais da semana? pode ser considerada irrelevante. Pergunta polmica: tem como objetivo levar o entrevistado a discutir sobre uma questo relacionada ao contexto, envolvendo discordncia ou posicionamentos opostos entre pesquisado e pesquisador. Exemplo: Mediante o que j foi dito pelos colegas, por que voc acha que o trabalho com os jornais pode no dar certo? Pergunta de esclarecimento: tem como funo esclarecer a fala do outro durante a entrevista. Exemplo: Ento o que voc est querendo dizer que a atividade que voc preparou estava muito ampla? Pergunta delicada: trata de assuntos delicados: religio, etnia, prticas sexuais, renda, opinies sobre dilemas ticos e morais; recomendadas para o final do questionrio. Exemplo: Qual sua opinio sobre a sentena de morte por apedrejamento aplicada s nigerianas em casos de relacionamento sexual fora do casamento? Perguntas quanto ao contedo (Adaptado de Gil, 1999) Fatos: para obter dados concretos sobre o participante: biogrficos (em geral, pergunta fechada) ou envolvendo situaes experienciadas, que o levem a recorrer memria (em geral, pergunta aberta). Exemplo: Cursos feitos por voc: graduao - ____________ especializao - _________ aperfeioamento - _______ extenso - ______________ Atitudes e crenas: para obter dados referentes a fenmenos subjetivos (em geral, pergunta aberta); difceis de serem respondidas, pois nem sempre as pessoas tm opinies sobre o assunto questionado, ou tm opinies que no expressam uma posio nica sobre o assunto. Exemplo: O que sua prtica em sala de aula tem lhe ensinado? Quais aspectos da lngua inglesa voc acredita serem importantes desenvolver na sala de aula de ensino fundamental? Comportamento (passado / presente): para obter dados sobre a forma de ao em diferentes momentos: no passado e no presente (em geral, pergunta aberta); para obter dados sobre possveis comportamentos futuros do participante, com base em seu comportamento no passado, em situaes similares (em geral, pergunta aberta); esse tipo de pergunta pode indicar o comportamento futuro do participante. Exemplo: Como voc escolhe atividades / estratgias para suas aulas no ensino fundamental? Apresente um exemplo pessoal. Quais aspectos da lngua estrangeira voc acredita ser importante desenvolver na sala de aula de ensino fundamental? Sentimentos: para obter dados sobre reaes emocionais do participante frente a fatos, fenmenos etc. (em geral, pergunta aberta). Exemplo: Comente livremente sobre seu trabalho, sobre a situao do ensino de lngua estrangeira na escola brasileira, sobre o papel do professor de lngua estrangeira ou sobre este trabalho conjunto que iniciamos hoje. Padres de ao: para obter dados sobre padres ticos relativos ao que deve ser feito; podem tambm envolver consideraes prticas a respeito das aes praticadas; podem oferecer um reflexo do clima predominante em relao opinio do participante, bem como em relao ao seu comportamento provvel em situaes especficas. Exemplo: O que voc faz quando seu aluno age das maneiras abaixo? Por que voc acha que seu aluno tem esse tipo de comportamento? falta muito s aulas dorme em aula no faz a lio de casa no faz as atividades propostas em aula demonstra indiferena briga com colegas desacata colegas desacata voc Razes conscientes sobre crenas, sentimentos, orientaes, comportamentos: formuladas com o objetivo de descobrir os porqus; referem-se dimenso consciente do participante (em geral, pergunta aberta). Exemplo: Que aspectos voc gostaria de desenvolver em sua prtica? Por qu? Perguntas quanto temtica (Baseado em Rea & Parker, 2000; Babbie, 2001) Introduo ao tema: perguntas relacionadas ao assunto; informaes factuais com a finalidade de motivar o participante a responder o questionrio; devem ser simples, solicitando opinio direta e descomplicada ou informaes factuais bsicas. Perguntas afins: perguntas cujos temas so relacionados entre si; devem ser colocadas juntas, possibilitando ao participante estabelecer relaes imediatas ao responder; perguntas consecutivas que tendem a provocar respostas automticas, dadas sem reflexo, devem ser evitadas. Perguntas de filtragem ou peneira: formas de isolar, para posterior trabalho, participantes pertencentes a um subgrupo especfico relacionado a um dado subtema. Os contedos das respostas relacionam-se maneira como foram formuladas as perguntas. Assim, perguntas devem ser elaboradas a partir de um foco e ainda: devem ser formuladas de maneira clara, concreta e precisa; devem levar em considerao os referenciais do participante e seu nvel de informaes; devem possibilitar uma nica interpretao; no devem sugerir respostas; devem solicitar uma nica idia de cada vez. Com base nas possibilidades apresentadas, discutiremos os dois questionrios - Q1 e Q2, objetos de anlise deste artigo. Questionrios: da cincia dos significados semntica Para entender o mecanismo de raciocnio utilizado pelos participantes ao se depararem com as perguntas dos questionrios, optamos, como j foi dito no incio deste artigo, pela anlise semntica. Dessa forma, apresentamos a seguir, esclarecimentos tericos que embasaram nossa anlise. Como j dissemos, informaes veiculadas por meio de mensagens lingsticas apresentam diferentes graus de explicitao e as informaes implcitas nos enunciados dos falantes precisam ser inferidas com base em um raciocnio que parte do prprio enunciado (Ilari, 2001). Assim, optamos por analisar os casos de pressuposio e de acarretamento, nos dados considerados neste artigo. Pressuposio Segundo Ilari (2001: 85), uma informao pressuposta quando ela se mantm mesmo que neguemos a sentena que a veicula. (...) Sempre que um contedo est presente tanto na sentena como em sua negao, dizemos que a sentena pressupe esse contedo. Podemos, portanto, afirmar que o que caracteriza um enunciado por pressuposio o fato de seu contedo se manter, independentemente de modificaes e manipulaes sintticas como negao ou interrogao. Podemos entender ainda por pressuposto, aquilo em que a comunicao se apia e dado conhecido para os interlocutores (Borba, 1932 / 1998). Esse autor define pressuposto com base em: ponto de vista lgico: se o pressuposto falso, o enunciado no nem verdadeiro nem falso; ponto de vista das condies de emprego: pressupostos devem ser verdadeiros para que os enunciados possam ser utilizados normalmente; ponto de vista pragmtico: a escolha de um enunciado comportando tal ou tal pressuposto, introduz modificaes nas relaes entre os falantes. importante ressaltar ainda que o pressuposto pertence ao sentido literal, inerente ao prprio enunciado, evidente no universo do discurso considerado (Lopes, 1999). Acarretamento Segundo Ilari (2001: 85), temos acarretamento toda vez que a verdade de uma sentena implica a verdade de uma outra, simplesmente pela significao de suas palavras. Outros autores (e.g. Ducrot (1969, 1972); Lopes (1999); Borba (1932 / 1998)) referem-se ao acarretamento como sentido subentendido. Podemos afirmar que o que caracteriza um enunciado por acarretamento ou com sentido subentendido o fato de seu contedo sugerir ou insinuar significaes que muito dependem do contexto em que o enunciado produzido, estando, no entanto, ausente de tal enunciado. importante ressaltar que o pressuposto se autoriza no ns que engloba destinador e destinatrio, enquanto o acarretamento ou subentendido se autoriza no tu do destinatrio, nas concluses que ele extrai por sua conta e risco (Lopes, 1999:289). sendo, portanto, sua, a responsabilidade da interpretao. Metodologia A fim de elucidar ao leitor o processo de desenvolvimento das anlises envolvendo os questionrios Q1 e Q2, optamos por descrever a histria de sua elaborao e como, em diferentes momentos das pesquisas, tais instrumentos tornaram-se alvos de inquietao das pesquisadoras. Q1 foi inicialmente elaborado em 1995 quando as professoras docentes do curso Reflexo Sobre a Ao: o Professor de Ingls Aprendendo e Ensinando reuniram-se para planejar o curso. A fim de conhecerem seu pblico-alvo - os professores de ingls da rede pblica do estado de So Paulo -, em relao s informaes pessoais, formao, vises de linguagem e de ensino-aprendizagem implcitas em suas aes, as professoras docentes do curso elaboraram perguntas que formaram Q1 em sua primeira verso. Desde ento, esse questionrio tem sofrido alteraes por parte da coordenadora do curso, dos professores docentes do mesmo, de um grupo de alunos participantes de um seminrio de pesquisa ministrado no LAEL PUC-SP e por ns, autoras deste artigo. Todas as alteraes esto relacionadas no somente s anlises feitas pelas professoras docentes do curso em funo das respostas obtidas dos professores participantes, mas tambm aos questionamentos de alunos de mestrado e doutorado participantes de seminrio de pesquisa, que desconheciam o contexto do curso Reflexo Sobre a Ao: o Professor de Ingls Aprendendo e Ensinando e, portanto, traziam tona aspectos at ento considerados evidentes pelos docentes do curso, mas que, na verdade, apresentavam-se implicitamente nos enunciados das questes do questionrio. Q2 foi elaborado pela pesquisadora para a coleta de dados de uma pesquisa com foco no papel da linguagem envolvendo professores de um curso de Letras. Em sua primeira verso, as perguntas tiveram origem na intuio da pesquisadora, que buscou identificar aspectos de relevncia relacionados ao papel da linguagem presente nas aes de uma professora em sala de aula. Ao questionrio seguiu-se uma entrevista com o objetivo de explicitar pontos obscuros presentes nas respostas escritas da participante. Com base nessa entrevista e, numa relao direta com o objetivo geral de pesquisa e as perguntas de pesquisa, Q2 foi reformulado tornando-se ento o instrumento de coleta de dados. Na histria dessa pesquisa, no entanto, Q2 no foi considerado como fonte nica de dados pois, mediante as respostas obtidas e tambm s expectativas no atendidas da pesquisadora, tal questionrio tornou-se nova fonte de investigao, dando origem a uma entrevista cujo objetivo foi o de aprofundamento dos temas desenvolvidos nas perguntas respondidas inicialmente. importante ressaltar que no processo de desenvolvimento de ambos os questionrios, as pesquisadoras autoras deste artigo utilizaram o referencial terico proposto em Ninin et al. (2003) e, com base nas caractersticas das perguntas quanto forma, ao tipo, natureza, ao contedo e temtica, elaboraram as verses agora em uso em suas pesquisas. Procedimentos de anlise Os questionrios Q1 e Q2 so apresentados na ntegra, nos anexos 1 e 2. Para alcanarmos o objetivo de reconstruir os questionrios com base na anlise das perguntas e respostas, escolhemos, aleatoriamente, o questionrio Q1 respondido por dez professores entre o primeiro e segundo dias de aula do curso Reflexo Sobre a Ao: o Professor de Ingls Aprendendo e Ensinando, no primeiro semestre de 2003. Em relao ao questionrio Q2, quatro participantes de pesquisa o responderam. Em ambos os casos, as respostas de cada pergunta foram agrupadas e, dessa forma, procedemos anlise. Neste artigo optamos por cinco perguntas de Q1 e trs perguntas de Q2, escolhidas em funo de maior necessidade de reconstruo, por haverem possibilitado aos participantes respostas com menor grau de compatibilidade com as expectativas dos pesquisadores. Com base em evidncias de ordem semntica, presentes nas respostas dadas pelos participantes s perguntas propostas em Q1 e Q2, a anlise foi realizada. A partir dela pudemos perceber a predominncia de categorias semnticas subjacentes s questes. Assim, na seo subseqente, apresentamos as perguntas que consideramos merecerem reformulaes, em funo das divergncias entre respostas e perguntas, ora tendendo para implicaturas, ora tendendo para abrangncias polissmicas. Discusso Nesta seo discutiremos as perguntas e respostas dos questionrios, embasadas na fundamentao terica apresentada e na anlise semntica. A partir da anlise de Q1 e de Q2 (cf. anexo), percebemos que algumas respostas apresentadas no corresponderam s expectativas das pesquisadoras. Assim, julgamos que, se essas questes tivessem sido elaboradas de outra forma, a probabilidade de respostas mais reveladoras teria emergido. Apresentamos, portanto, possveis reconstrues. 3.1. Reconstrues em Q1 Em Q1, na seo formao, item A, Assinale e detalhe os curso que vc j fez, o tipo de pergunta matricial fechada, cuja funo a de obter informaes sobre fatos. No entanto, a escolha do item lexical verbal detalhe implica em expor pormenorizadamente (Luft, 2003). No caso, os fatos em questo no possibilitavam detalhamento. Dessa forma, substituiramos o enunciado para Complete o quadro sobre os cursos que voc j fez. Na pergunta B, seo formao, no enunciado Como voc avaliaria seu curso de graduao do ponto de vista de/da, percebemos a necessidade de haver uma substituio do item lexical verbal avaliaria para descreveria, pois no verbo avaliar h a idia de julgar, apreciar (Luft 2003) e de determinar valor, calcular (Ferreira, 1986). Tal concepo implcita no verbo avaliar incentiva o professor-aluno a responder escolhendo adjetivos para qualificar os cursos, promovendo, assim, juzos de valor, dando margens ao excesso de respostas subjetivas. Respostas sobre relevncia do currculo que dizem este foi adequado, regular, tirou C no provo, tradicional fizeram suscitar dvidas em relao a o que foi adequado, por que foi regular, o que ocorreu para que o curso tirasse C no provo. Outro exemplo pode ser considerado nas respostas para contribuio para o desenvolvimento curricular: a contribuio foi apenas terica, sai da graduao com bagagem mnima e a contribuio maior foi o contedo. Permaneceram, portanto, dvidas das pesquisadoras em relao a o que seria uma contribuio terica. Dessa forma, com base nas respostas acima, no obtivemos conhecimento de fatos que nos auxiliassem a ter acesso ao tema da pergunta, relacionado a como o professor-aluno era capaz de descrever seu curso de graduao. Espervamos, para exemplificar, que em estrutura curricular, o professor-aluno respondesse algo como tive as matrias de Metodologia, Prtica de Ensino, Fonologia, Morfologia, Literatura Inglesa e Americana; em metodologia, que respondesse algo como aulas expositivas, seminrios, palestras, havia trabalhos em grupos, nos organizvamos individualmente, no havia trabalho em duplas na sala de aula etc. Essa expectativa no alcanada na obteno das respostas fez com que substitussemos o verbo avaliar por um outro que melhor orientasse a resposta. Uma sugesto de reformulao seria usar o item lexical verbal descrever em lugar de avaliar. Na seo voc como professor pudemos observar uma srie de dados relevantes para um pesquisador. Ao ser elaborada a pergunta Em relao a uma aula recente de ingls dada por voc: Qual o contedo trabalhado? Como voc o desenvolveu em sala de aula? Quem escolheu esse contedo? Por que esse contedo foi escolhido? Para que esse contedo foi escolhido?, o objetivo era o de obter informaes sobre a ao do professor-aluno em sala de aula, em relao a: contedos trabalhados durante a aula (Qual o contedo trabalhado?); aes do professor em sala de aula (Como voc desenvolveu o contedo em sala de aula?); questes polticas relacionadas ao poder dentro da escola (Quem escolheu o contedo?); preocupaes scio-culturais (Por que esse contedo foi escolhido? Para que este contedo foi escolhido?), que permeiam as escolhas do professor-aluno. Embora esse fosse o objetivo inicial, as respostas no nos informaram o que buscvamos, em funo da falta de detalhes sobre as informaes fornecidas. Por exemplo, ao lermos respostas como: o contedo foi saudaes o que, efetivamente, foi ensinado? desenvolvi saudaes com dilogos - como teriam sido tais dilogos? quem os teria elaborado? como foram usados em sala de aula? quais teriam sido os papis do professor e dos alunos durante a atividade? eu e os outros professores escolhemos o contedo como teria sido tomada esta deciso? por que um determinado contedo em detrimento de outros? O grande leque de possibilidades de interpretaes das respostas dos participantes permitiu-nos inferir que a significao dos termos das perguntas poderia ser menos abrangente, pois da forma como foram elaboradas, sugeriram um alto grau polissmico em sua semntica . Assim, decidimos por reconstruir as referidas perguntas da seguinte forma: Qual foi o contedo trabalhado? Exemplifique. Como voc desenvolveu esse contedo em sala de aula? Quais foram suas aes? O que voc fez, disse, escreveu etc.? Quais foram as aes de seus alunos? O que eles fizeram, disseram, escreveram etc.? Quem escolheu esse contedo? Como se chegou a essa escolha? Por que esse contedo foi escolhido? Quais as razes para a essa escolha? Para que esse contedo foi escolhido? Qual a relevncia desse contedo para a vida de seu aluno? Na seo voc e a lngua inglesa, na pergunta Como foi elaborado o planejamento de Ingls em sua escola? e em sua dependente Ele se baseia em algum livro didtico?, pudemos observar nas respostas uma tendncia dos professores-alunos referirem-se especificamente um livro didtico. Isso nos fez pensar o que aconteceria se a pergunta no sugerisse que um currculo ou deva ser embasado em um livro didtico. Dessa forma, nossa sugesto de reconstruo seria: Como foi elaborado o planejamento de Ingls em sua escola? Em que ele se baseia? Em nossa anlise semntica percebemos a presena de acarretamento expresso nos itens lexicais planejamento, baseia e livro didtico, levando os participantes a exclurem outros possveis instrumentos para uso na elaborao de planejamentos. Na mesma seo, na pergunta Para voc, qual a diferena entre texto didtico e texto autntico?, seguida das dependentes Pode-se trabalhar com ambos igualmente? Exemplifique sua resposta., observamos que a pergunta elaborada pressupunha que o respondente conhecesse a diferena entre texto autntico e texto didtico, e soubesse como trabalha-los. No entanto, a maioria dos respondentes demonstrou em suas respostas no ter esse conhecimento, tecendo comentrios inconsistentes, como por exemplo o texto didtico apresenta mais especificamente uma determinada parte gramatical, dependendo do conhecimento prvio dos meus alunos, acho que os dois textos podem ser trabalhados igualmente, no nos permitindo alcanar sua compreenso sobre o item em questo. Dessa foram, nossa sugesto para a reformulao seria: O que voc entende por texto autntico e por texto didtico? De que forma voc trabalha com esses textos? Exemplifique. 3.2. Reconstrues em Q2 Quanto s modificaes em Q2, observamos (cf anexo 2) que a maioria das perguntas do tipo etnogrfica estrutural, que pressupe, por parte do respondente, respostas relacionadas a conhecimento cultural, crenas e atitudes. Observamos nas questes O que pra voc ser professor e Como voc v a relao de ensino- aprendizagem em sua aula, que os itens lexicais verbais induziram a respostas subjetivas, voltadas mais para o ser professor, pouco informando sobre aes em sala de aula. No entanto, esse era o objetivo principal da pesquisadora. Sendo assim, poderamos substituir essas perguntas por: Como voc define o papel do professor? e Descreva uma situao de ensino-aprendizagem presente em sua ao em sala de aula. A predominncia do uso dos itens lexicais verbais ver, entender, compreender, carregam, em suas significaes, situaes no palpveis, o que permite respostas bastante abrangentes, voltadas para o excesso de subjetividade e, portanto, ausncia de esclarecimentos sobre aspectos didticos desejados (cf. perguntas 5, 6, 8, 14). Esses verbos, a nosso ver, poderiam ser substitudos por outros que denotassem significado voltado para a ao do fazer. Finalmente, a pergunta importante para voc terminar o contedo proposto? Por qu? teve um movimento inverso, uma vez que houve a uma polarizao entre o sim e o no. Pouca importncia foi dada ao marcador interrogativo por qu. Contudo, a retomada de uma melhor explicao que revelasse mais o espao do sim e do no, pde ocorrer durante a entrevista. Do que foi exposto, pudemos observar que muitas respostas foram provocadas por perguntas que carregavam em seu bojo uma certa pressuposio. Assim, poderamos dizer que houve predominncia de uma categoria semntica baseada em evidncia de significao com base em pressuposio, principalmente nas questes presentes em Q1. Tambm o acarretamento surge como uma categoria forte nas respostas, principalmente nas perguntas de Q2, pois o uso de verbos cognitivos traz como conseqncia respostas que implicam um ponto de vista subjetivo por parte dos participantes. Frisamos ainda, que as sugestes de alterao no garantiro que as respostas nos informem exatamente o que imaginamos e esperamos dos participantes de pesquisa. Mais uma vez, salientamos a importncia de questionrios como instrumentos geradores de dados norteadores de futuras investigaes para uma pesquisa. O ideal que haja a possibilidade de pesquisador e colaborador conversarem em uma entrevista, por exemplo, para que o pesquisador possa elaborar perguntas capazes de trazer elucidaes sobre as respostas obtidas. Algumas consideraes finais Com a realizao do estudo sobre questionrios, pudemos perceber que as informaes contidas nas mensagens lingsticas, implcitas ou explcitas, esto relacionadas a fatores que envolvem desde formulao dos enunciados das perguntas apresentadas aos respondentes, ao contexto situacional, no qual tanto respondentes quanto proponentes se encontram envolvidos. Foi-nos possvel trilhar um outro caminho para a elaborao de perguntas que constituem questionrios e possvel dizer ainda, que nosso caminhar tornou-se mais consciente e responsvel em relao construo de questionrios como instrumentos de pesquisa. Em geral, tendemos a considerar essa tarefa como o simples ato de criar uma lista de perguntas para os participantes de pesquisa responderem, de forma que nossos objetivos sejam atendidos. No entanto, aps a anlise dos questionrios, ficou patente a necessidade de conhecer profundamente o tipo de pergunta feita, de forma a criar espaos para respostas que no s nos conduzam aos objetivos de pesquisa propostos, como tambm sirvam de ponto de partida mais fortemente calcado na conscientizao para a reflexo sobre a prtica de nossos participantes de pesquisa. Assim, por meio deste estudo percebemos que conhecer o instrumento utilizado para coleta de dados, seja ele um questionrio ou uma entrevista, envolve um movimento reflexivo minucioso e crtico do pesquisador, no sentido de percorrer os significados implcitos e explcitos dos enunciados proferidos por todos os envolvidos, que, certamente, oferecer maior possibilidade de alcance dos objetivos a que se destina o trabalho. Referncias bibliogrficas Babbie, Earl. (2001). Mtodos e Pesquisas de Survey. Belo Horizonte: Editora UFMG. Borba, Francisco da Silva. (1932). Introduo aos Estudos Lingsticos. 12a ed. Campinas: Pontes, 1998. 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